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Conheça um universo de vinhos que vai muito além da Cabernet Sauvignon

A uva é um fruto da videira, uma planta da família das Vitaceae. Entre as espécies de videiras, podemos nos referir à Vitis vinifera, Vitis labrusca, Vitis rupestris, Vitis riparia, entre outras. No entanto, a mais utilizada na indústria mundial do vinho é a Vitis vinifera.

Se você perguntar a qualquer amante do vinho quais são suas uvas preferidas, a grande maioria vai citar pelo menos uma das uvas consideradas clássicas, como Malbec, Merlot, Carménère, Chardonnay e, obviamente, a rainha das uvas, a Cabernet Sauvignon. Sendo a cepa de maior prestígio no mundo inteiro e com uma impressionante capacidade de adaptação a diferentes solos e climas, a Cabernet Sauvignon é cultivada em praticamente todos os países que produzem vinho.

O fato é que existem mais de 10 mil variedades de uvas viníferas da espécie Vitis vinifera, apesar de somente cerca de 50 delas serem mais frequentemente usadas – e, por isso mesmo, de fato mais conhecidas.

Uvas Tintas

Alfrocheiro

A Alfrocheiro ou Alfrocheiro Preto é também chamada de Tinta Bastardinha e é nativa da região portuguesa do Dão. Os cachos da Alfrocheiro são curtos, de tamanho médio, e compactos. As uvas possuem alto teor de açúcares, o que possibilita a produção de vinhos de alto teor alcoólico. A Alfrocheiro produz vinhos ricos, com taninos firmes e muito frutados, e com aromas de frutas silvestres, como amoras e morangos. Por produzir um vinho de cor profunda, a Alfrocheiro é frequentemente usada em corte, com vinhos de cor mais clara. Já no Dão, ao contrário, a uva é frequentemente vista sozinha, em vinhos varietais.

Nero d’Avola

Essa uva é a variedade tinta mais plantada na Sicília. O nome Nero d’Avola, inclusive, refere-se à “uva negra da cidade de Avola”, na costa sudeste da ilha. Intensamente aromática, quando jovem, o vinho produzido com a Nero d’Avola traz aromas de ameixa, frutas vermelhas, pimenta e cravo. Com o tempo em carvalho, contudo, a uva adquire também sabores de chocolate e acentuado aroma de framboesa. Com cor profunda, acentuada acidez, alto teor alcoólico e muitos taninos, esse é um vinho que envelhece bem.

Montepulciano

A Montepulciano é uma variedade tinta de uva amplamente cultivada no centro da Itália, mais notavelmente nas regiões de Abruzzo, Marche e Molise. Trata-se de uma cepa que produz vinhos frutados, de sabor leve, relativa acidez, cores fortes e taninos suaves. Mesmo que a maioria desses vinhos seja consumida quando jovem, as melhores uvas podem envelhecer por décadas. Os aromas e sabores costumam ser os de amoras pretas e cerejas, com notas de cacau, tabaco e orégano, e com boa persistência no paladar.

Negroamaro

A Negroamaro é uma uva tinta, típica da Puglia, região sul da Itália. Apesar da semelhança, o nome não tem relação alguma com amargor, até porque essa é uma uva com elevados níveis de açúcar. Os vinhos produzidos a partir da Negroamaro são frutados, com aromas e sabores de ameixas, cerejas e amoras, com notas de canela, cacau e couro. De acidez moderada, apresentam taninos médios e macios.

Aglianico

Essa é uma das uvas mais antigas entre as consideradas nativas da Itália e uma das mais subestimadas pelos amantes do vinho. A Aglianico é conhecida pela produção de vinhos tintos encorpados de caráter mineral, que remetem a figo e à cereja, com taninos firmes, boa acidez e um interessante potencial de envelhecimento. Na realidade, quando jovens, seus taninos podem ser até um pouco duros, mas vão amaciando com o tempo. O passar do tempo também muda a cor da Aglianico, de vermelhogrená para terracota, além de ressaltar os aromas de ameixa e chocolate.

Carignan

A Carignan é uma casta de origem espanhola, especificamente da região de Aragón, onde é chamada de Mazuelo. Essa uva confere aos vinhos mineralidade, aromas florais, acidez e cor. Em varietais, possui o teor alcoólico mais elevado e costuma equilibrar a acidez da uva, resultando em tintos elegantes e potentes. Os vinhos à base de Carignan possuem notas de ervas, amoras, ameixaspretas, pimentas e especiarias. São geralmente robustos, encorpados, tânicos e ricos em acidez.

Gamay

Uma uva tinta de pele escura, nativa da região da Borgonha, na França, que pode ser encontrada também pelos nomes Gamay Beaujolais ou Gamay Noir. Os vinhos produzidos pela Gamay são reconhecidos pelo seu caráter frutado e acidez acentuada. Aromas comuns são cerejas vermelhas e morangos. Quando cultivada em solos de granito, a Gamay pode também remeter a framboesas e pimentas. O equilíbrio entre a boa estrutura de acidez e a baixa quantidade de taninos faz com que esses sejam vinhos ideais para serem consumidos jovens.

Arinarnoa

A Arinarnoa é uma uva de origem Basca, entre a fronteira francesa e espanhola, e foi gerada em laboratório, em 1956. Seus vinhos apresentam uma coloração intensa e aromas pronunciados de frutas secas. Na boca, o tradicional picante ou herbácio da Cabernet Sauvignon. Seus vinhos costumam ter boas doses de taninos, frutos negros e algumas notas herbáceas.

Uvas brancas

Verdejo

Na Espanha, um país em que as uvas tintas têm mais notoriedade, a Verdejo é uma uva branca nativa de Castilla e León, onde é, inclusive e de longe, a cepa mais plantada. Verdejo é uma uva que produz vinhos elegantes, frescos, frutados e, geralmente, com alto teor alcoólico e acentuada acidez. A cor do líquido normalmente é verde-dourado, dependendo um pouco do método de vinificação. São vinhos de caráter herbáceo e cítrico, com um toque de noz e de mineralidade.

Malvasia

A Malvasia é, na realidade, uma família de uvas, todas muito aromáticas. E, provavelmente, uma das mais antigas. Entre os países que cultivam a Malvasia, destacam-se, atualmente, Itália, Portugal e Espanha. Mas, na realidade, a Malvasia é plantada em muitos lugares, da Croácia à Califórnia, passando pela Austrália e pelo Brasil. É possível descrever as notas de aromas mais frequentemente associados à Malvasia nos vinhos brancos: pêssegos, damascos e uvas-passas brancas. Os tintos são caracterizados por notas de chocolate. Com o envelhecimento da Malvasia, os vinhos tendem a assumir mais aromas e sabores de nozes.

Grillo

Uma cepa perfeitamente adequada ao clima siciliano – quente e seco –, a Grillo desempenha um importante papel em muitos vinhos da Sicília, principalmente no mais famoso deles, o fortificado Marsala. Versátil, essa uva é capaz de enfrentar os mais diferentes desafios na vinificação. Pode perfeitamente bem produzir vinhos leves e fáceis de beber, com resultados semelhantes, por exemplo, à Pinot Grigio. Ou pode simplesmente encantar em vinhos de colheita tardia, que apresentam uma cor dourada que evolui para âmbar com o passar do tempo. Os vinhos elaborados com Grillo apresentam aromas de frutas cítricas, maçãs, peras e amêndoas.

Encruzado

A Encruzado é uma das melhores uvas brancas de Portugal, mas com pouca popularidade. Cultivada especialmente na região do Dão, dá origem a vinhos encorpados, ricos e com aromas frutados que, muitas vezes, pendem para o floral. Esses vinhos são muito apreciados e podem envelhecer muito bem. Os vinhos ficam voluptuosos e complexos, com notas minerais aromáticas e de frutas tropicais, especialmente mamão verde, maracujá e melão.

Sugestões da sommelière

Apaltagua Coleccion Carignan (Chile)

Estagia em barricas de carvalho francesas de 12 a 14 meses e apresenta coloração rubi intenso, aromas de frutos silvestres, cerejas e notas florais e condimentadas. No paladar, é intenso e encorpado e tem taninos firmes, acidez equilibrada e boa persistência.

Titular Encruzado (Portugal)

Produzido com uma das castas mais nobres de Portugal, esse vinho estagia durante 9 meses em carvalho francês com bâtonnage. No paladar, é cremoso e macio e tem grande frescura e mineralidade, com uma enorme capacidade de evolução em garrafa.

Itynera Montepulciano D’abruzzo (Itália)

De coloração rubi intensa, tem aromas de ameixas-pretas, cerejas, tabaco e baunilha. Corpo médio a encorpado, aveludado e equilibrado, com notas picantes.

Gimenez Mendez Alta Reserva Arinarnoa (Uruguai)

Estagia em barricas de carvalho francês e americano por 9 meses. É um vinho de corpo médio a encorpado, com taninos macios.

Luna Passante Nero D’avola (Itália)

De coloração vermelho-rubi com reflexos violáceos, tem intenso aroma herbáceo e notas de frutas vermelhas e florais. No paladar, é macio, frutado e com uma boa persistência.

Portia Verdejo (Espanha)

Um vinho de coloração verde-dourado. Fresco, elegante e frutado, de corpo médio, bastante herbáceo, com toques minerais e acidez acentuada. Harmoniza com carne de porco, peixes grelhados, queijo de cabra e azeitonas.