Criado na cozinha, no quintal grande e no sítio dos avós, o chef Igor Marquesini desde sempre esteve ligado à gastronomia. Aos 12 anos, foi morar com os pais na Austrália, onde teve aulas, na própria escola regular, de pescaria, marcenaria, artes, música e cozinha. Diante de tantas novidades, sentiu-se influenciado e motivado com tudo o que aprendeu, viu e provou. Aos 13, já ajudava a mãe na cozinha e o pai no churrasco. Não demorou muito para que comandasse as panelas em casa, cozinhando para a família e preparando as refeições das principais datas comemorativas.

De volta ao Brasil, quatro anos mais tarde, sentiu-se perdido, mas deu uma chance à faculdade de administração, embora tivesse uma banda de música e aventasse a possibilidade de seguir por esse caminho. O gosto pela cozinha, contudo, falou mais alto e ele se matriculou também no curso de gastronomia do Centro Europeu. “Levava a vida entre a faculdade, a escola de gastronomia e os trabalhos que consegui. Foi durante um emprego na área de administração do Madero que percebi que não nasci para ficar atrás de um computador. Além disso, já estava apaixonado pela cozinha, cada vez mais”, conta.

Igor passou a viajar e a vivenciar a gastronomia do mundo, extraindo o melhor de cada uma delas. Em Nova York, passou pelo estrelado Anissa, em um estágio de curta duração. Na região do Piemonte, na Itália, passou pelo Piccolo Lago, também como estagiário. Depois de um tempo (e muita bagagem), voltou a Curitiba e assumiu a praça de peixes do Manu, o premiado restaurante da chef Manu Buffara. Foram mais de dois anos de muito aprendizado e a ideia de abrir o próprio restaurante começou a surgir com força. “Embora estivesse na praça de peixes, também auxiliava em outros processos, como compras, que me ajudaram a ter uma visão global do negócio. Eu sempre quis ter meu próprio restaurante, mas, até então, não me sentia pronto”, lembra ele, que também conquistou uma pósgraduação no curso de gestão em gastronomia.

“Me dediquei a montar um plano de negócios para ter minha própria casa. Ainda queria viajar, mas não seria viável fazer isso antes de abrir meu restaurante. Então, o foco total foi nele”, diz Igor. Encontrado o imóvel, uma casa na rua Gutemberg, no Batel (vista por Igor pela janela de um dos quartos do Nomaa Hotel, onde estava hospedado com a noiva – hoje esposa – no Dia dos Namorados), Igor procedeu a uma reforma caprichada para abrigar o seu belo Restaurante Igor.

Desde a inauguração, há dois anos, Igor trabalha com cardápios completos e autorais, sempre com o apoio incondicional da esposa, Aline Marquesini, que também trabalha no restaurante. Por lá, reinam frescor, ingredientes orgânicos e produtos artesanais, tudo fruto da aproximação com produtores de altíssima qualidade. A cozinha serve massas, peixes, aves e carnes, em um cardápio que se reinventa periodicamente. “Temos um menu longo de dez passos e um menu curto de cinco passos, além de criações programadas mensalmente”, explica ele. Os menus mudam constantemente (garantindo a surpresa do cliente) graças à sazonalidade e seus ingredientes da estação, que influenciam a cozinha do restaurante.

  

 

Para evitar desperdícios e produzir menos lixo, Igor arriscou. Tirou as opções à la carte e manteve as opções mais clássicas e adoradas pelos clientes fiéis. Assim, os   dois menus criados se revelam ótimos para saborear as maravilhas criadas pelo chef e colaboram para uma operação mais saudável, uma vez que nem todos os ingredientes e produtos usados nas opções à la carte eram consumidos na cozinha. Hoje, o estoque é menor e mais bem usado. Clientes com algum tipo de restrição ou intolerância alimentar também não saem de lá sem passar por uma experiência completa. Isso porque Igor realiza as adaptações necessárias em cada prato. Basta pedir.

O ambiente é extremamente intimista, discreto e confortável. As mesas não têm toalhas, mas Igor manteve os talheres pesados e as taças de cristal. As louças são rústicas, há velinhas acesas em cada mesa e tudo acontece no “meio termo”: é moderno e clássico ao mesmo tempo. O cardápio do restaurante, autoral, moderno, criativo e sazonal, colabora com a tendência do slow food. Ou seja, é feito para ser apreciado. Também não traz grandes explicações – nem precisa.

Ainda que seja um cardápio que privilegia técnicas do mundo inteiro, a localidade é marcante. Igor e sua equipe trabalham em parceria com a Horta Santa Rita, localizada no bairro Tatuquara, e com o Sítio Tubuna, de Morretes, de onde saem itens diversos – do palmito ao açaí. Ainda novo, o Restaurante Igor já colhe seus louros. Em 2019, venceu o Prêmio Bom Gourmet na categoria Melhor Couvert. Igor foi eleito o Chef 5 Estrelas na mesma edição.

Despontando na cidade, Igor diz ter sentido uma felicidade imensa com os prêmios que recebeu. “Tudo dentro do meu restaurante é pensado em cada detalhe. São experiências e anos de pesquisa reunidos em um único lugar e que fazem toda a diferença no prato do cliente”, analisa. Para o futuro, Igor pensa em abrir um segundo restaurante ou, segundo ele, uma “casa mais descontraída”. O plano ainda não foi para o papel, mas representa um sonho possível dentro de uma trajetória bem pavimentada e bem reconhecida.

PRATO SURPRESA
Sagu de leite de coco com sorvete de manga na brasa

INGREDIENTES para o sagu:
Sagu
1 litro de leite
500 g de coco ralado fresco
Leite condensado a gosto
Cumaru
Creme de leite
Limão
Castanha-do-pará picada

MODO DE PREPARO:
Cozinhe o sagu. Passe por uma peneira e reserve. Para fazer o leite de coco, esquente o leite junto com o coco ralado e deixe descansar por 30 minutos. Bata a mistura no liquidificador e passe por uma peneira. Junte o sagu précozido, o cumaru ralado e o leite de coco aos poucos para terminar o cozimento do sagu. Finalize com leite condensado e creme de leite até ficar cremoso e, depois, acrescente raspas de limão e castanha-do-pará. Tudo a gosto.

INGREDIENTES para o sorvete de manga:
Manga na brasa (opcional, pode ser somente a fruta normal)
Açúcar invertido a gosto
Limão em quantidade suficiente apenas para corrigir a acidez
Carvão

MODO DE PREPARO:
Acenda a churrasqueira e coloque as mangas cortadas na grelha para pegar o gosto de brasa. Bata a manga com o limão no liquidificador e acrescente o açúcar invertido aos poucos e a gosto. Passe a mistura em uma sorveteira. Caso não queira um sabor defumado ou não tenha sorveteira, bata a fruta congelada picada no liquidificador com o limão e acrescente o açúcar invertido aos poucos, até dar o ponto de sorvete. Caso opte pela fruta fresca, bata no liquidificador com o limão, acrescente o açúcar invertido aos poucos e depois passe na sorveteira.